Rendição
O que ele mais insistentemente me pedia era que lhe mostrasse os seios. “São tão bonitos”. Às vezes, consentia. Outras, resistia.
Falava-me para não usar sutiã, que não precisava escondê-los, que poderia deixá-los livres. “Seus seios
são tão lindos, deixa eu ver”.
Gostava de saber que os exibia
e sentia prazer nisso. “Gosto de mulher natural.” Nos momentos em que relutava, insistia para que eu fosse naturalmente como sou, que reafirmasse meus
atributos sem o uso de artifícios.
E quando cedia, por desejo de agradá-lo, balbuciava: “Você está muito elegante”.
A elegância parecia-lhe sinônimo
de naturalidade, de deixar-se ser, deixar-se ver, mostrar-se como se é.
Seu modo de conceber elegância
se mostrava diferente do meu, na verdade, até se contrapunha, mas deixei-me entregar
ao seu gosto, aos seus desejos. Fazia-lhe concessões.
Um queria me ver sorrir: “Gosto
do seu sorriso” e dizia bobagens para me arrancar risos. Outro colocava meus
cabelos por detrás das orelhas e pedia que as deixassem nuas e expostas: “Gosto
assim”. Quando me pintava, ouvia-lhe dizer que me achava mais bonita sem maquiagem.
Natural. “Gosto de você natural.” E outro, quando lhe disse que era pequena, respondeu-me:
“Não acho.”
O olhar do homem me legitima.
Mais que isso: o olhar do homem me liberta.
Submissa
Eu – objeto de olhar, me rendo.
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